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Perspectiva de preparação do futuro e investimento inteligente

Segunda-feira, 15.01.18

 

 

Vivemos numa época de transição, e isto também se aplica ao sistema político. Com as actuais tecnologias científicas já não se justifica tantos obstáculos à optimização dos recursos colectivos. E neste momento o sistema político é mais obstáculo do que facilitador.

Os cidadãos não estarão disponíveis para continuar a pedalar em seco para alimentar um Estado lento, pesado e burocrático e uma subserviência a Bruxelas.

Continuarmos a ver o futuro ensombrado pela incapacidade de previsão dos actuais protagonistas políticos não é muito inspirador. Assim como a cultura que representam.

Vê-los juntos ou em alternância, também não me parece entusiasmante. Ambos partilham a prioridade "agradar a Bruxelas", ambos gostam de controlar tudo, ambos agirão com pouca transparência, a teimosia é um traço comum assim como a arrogância, um não é responsável pelas falhas o outro nunca perde eleições (= como um ex-PM que nunca se enganava).

 

A única área que correrá melhor é a ordem pública, a segurança, a prevenção. Para não continuar a revelar fragilidades, o governo estará mais atento e alerta. Dificilmente continuaremos a ouvir uma ministra da Justiça afirmar que a PJ identificou mais perfis de incendiários do que o número de incendiários presos, por exemplo. E na prevenção rodoviária, os pontos serão para valer e haverá cassação de cartas.

O apoio às vítimas, os prejuízos, a reconstrução, será outra prioridade. 

Também o SNS será uma área acarinhada a partir de agora. 

Quanto ao desperdício de dinheiro e de recursos no sistema bancário, essa é uma incógnita. No entanto, o fisco estará muito afinado, resta saber se apenas para os que não lhe podem escapar por não terem dimensão e advogados fiscais. E os recibos verdes continuarão a ver-se aflitos para perceber o "complex" em que os meteram. 

O que fica para trás, como sempre, pela cultura de "bloco central"? Exactamente. A educação, os professores, as escolas, as universidades.

 

E se isto for mesmo assim, não estaremos assim tão mal, pois não? 

Estaremos mesmo mal, é o que ouvimos recentemente a Vitor Bento, que nos devíamos estar a preparar para os desafios futuros, para não ficarmos completamente dependentes de fora, sem produzir. O mesmo não será dizer que é tempo da Economia, e não apenas das Finanças?

 

E nessa perspectiva de preparação do futuro, não são a saúde e a educação áreas fundamentais?

Nessa perspectiva de preparação do futuro, em vez de obrigar os contribuintes a enfiar dinheiro no sistema financeiro que não os reconhece como accionistas, um sistema que irá sofrer grandes abalos e mudanças, porque não incentivar o investimento em empresas produtivas, que os reconheceriam como accionistas?

Os montantes absurdos que este governo já enfiou nos bancos falidos deve ser exigido pelos contribuintes em investimento inteligente, a trazer retorno para a próxima geração, pelo menos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:44

O que falhou nos mecanismos da democracia americana?

Sábado, 19.11.16

 

 

 

Lembro-me bem das eleições presidenciais americanas de 2000, Bush vs Al Gore. Essas eleições determinaram drasticamente as nossas vidas, enquanto cidadãos do mundo, até hoje.

Al Gore teve de fazer uma travessia do deserto, foi descredibilizado e ridicularizado, e o mundo continuou alegremente a basear a sua economia em indústrias poluentes. Mas ainda pior!, em nome de megalomanias do poder e da finança, o mundo tornou-se um lugar mais perigoso.


Passados 16 anos, o sistema eleitoral americano não tinha melhor para oferecer aos cidadãos do que Trump vs Hillary Clinton? Como é isto possível?

Um candidato à presidência da maior potência mundial não tem de se submeter a uma avaliação psicológica, mental e de personalidade, para se verificar a sua capacidade para o cargo, mental, comportamental, experiência profissional, valores democráticos, respeito pela Constituição? Não há qualquer exigência básica?


Reparem: por muito menos, erros de avaliação psicológica em profissionais de transporte levaram um piloto de uma companhia aérea a dirigir o avião - e as pessoas lá dentro -, contra uma montanha, e um piloto de um comboio de alta velocidade a descarrilar - com as pessoas lá dentro -, ao entrar numa curva acentuada.


Ao ver as notícias da CNN, da Fox, da BBC, da Sky News, até tremo. As lideranças mundiais, de que esperávamos algum bom senso e que nos dessem alguma sensação de segurança, estão em suspense. Algumas até já se dirigiram à torre de Trump - se não fosse um caso tão sério para todos nós até dava um tema para um filme. Algumas lideranças verbalizaram o impensável: Estamos à espera de ver se o Trump presidente é diferente do Trump candidato. A sério? E se o Trump presidente for mesmo o Trump candidato? Têm algum plano B?


É que tudo nos indica que o Trump presidente é mesmo o Trump candidato. E sendo assim, o que falhou? Quais os mecanismos da democracia americana, Constituição, instituições, filtros do poder, dispositivos de segurança básicos, que falharam?

Já tinham falhado com Bush, e vejam o resultado. Agora conseguiram falhar muito mais.


O que falhou:


1 - o sistema eleitoral: a avaliação prévia de cada candidato para se verificar a sua capacidade para o cargo, mental, comportamental, experiência profissional, valores democráticos, respeito pela Constituição. Imagine-se agora o Trump presidente a jurar sobre a Constituição no dia da tomada de posse, depois de ter desrespeitado quase todos os valores constitucionais... Tudo é permitido durante as campanhas, a linguagem, os preconceitos e os bodes expiatórios, o apelo à divisão, a ameaça de deportação e prisão, próprios das culturas fascizóides, e subitamente, depois das eleições, a imagem é limpa e surge imaculada na torre com o seu nome. A equipa que rodeia o eleito é toda constituída por "a good guy", "a good person". E o mundo em suspense...;


2 - o sistema político: os eleitores só têm duas opções de escolha, dois únicos partidos, duas únicas cores, vermelho e azul. O sistema está encriptado, fossilizado, fechado a uma terceira escolha. E mesmo nas duas únicas opções chega ao final quem tem mais recursos: exposição mediática, apoios influentes, etc. Foi assim com Hillary vs Bernie nas Primárias, deixando os jovens sem candidato;


3 - a cultura americana: o que é promovido nos media?, a quem se dá voz? Às elites, a celebridades, a megalómanos, a uma cultura narcísica, a uma minoria de pessoas e de interesses. Falta descodificar as agendas das elites e desmontar a desinformação. Falta dar voz aos grupos representativos das diversas regiões, dos milhões de cidadãos esquecidos pelo sistema político e financeiro. Senão, o que é que acontece? A raiva e a revolta leva-os a votar emocionalmente. O trágico é que votaram, dentro das duas únicas opções, no seu pior inimigo.



Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:22








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